Não sei lidar

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por: Bárbara C. Soares

Com esses pés que preferem ir rápido e só, do que dançar lento e acompanhado,

Com essa coluna tão resistente a se curvar às necessidades e direitos de outro alguém,

Com esses braços que se levantam para reivindicar que o outro sofra, para não incomodar,

Com essas mãos que não cedem por não entenderem que um pão para dois é meio pão para cada,

Com esse dedo que aponta e puxa o gatilho,

Com essa boca que se cala e se nega a ser voz pelos que não à têm,

Com esses ouvidos que preferem ser surdos a escutar o que não querem, ainda que precisem,

Com esses olhos que preferem o escuro de sua própria ignorância à luz de decifrar quem os rodeia,

Com esses corpos que se cercam de prazeres e vaidades, conquistadas sob os corpos dos que a isso nem conhecem,

Com esse cinza, de quem não abre mão de si, para se colorir de alguém,

Com essa ideologia,

Que faz se apagar o verde se isso fizer o amarelo reluzir,

Que pensa ter que matar tupã para ver reinar o Deus que mora em si.

Com essa mente,

Que não se expande e nem se rende,

Não se divide nem se diverge,

Não entende,

Que nascer é ser responsável por todos que nasceram antes e virão depois,

E existir é ser consciente que D-I-V-E-R-S-I-D-A-D-E

É o único caminho viável para onde quer que se queira ir.

Com essa figura intolerante no espelho, que sou eu,

Comigo, que sou reflexo da sociedade em que vivo,

Não sei lidar. E que reconhecer seja sinônimo de revolucionar.

Categories: diversidade

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